09/11/2010

Foi em um dia de sol, você estava lá; e tirou a foto. Eu também estava lá; eis minhas mãos. Mas eu poderia não estar lá. Estar, assim como estar perto, não é físico. Eu tinha um coração, cheio de você, de nós, de devaneios e sonhos. A foto foi pra você. Mas agora, tempo depois, já não tem o mesmo sentido que teve um dia. Foi pra você. Talvez agora não fosse. Eu não gostava de fotos assim, não era meu estilo, mas hoje já o é-não por influência sua, espero que não. Afinal, você nem me notava; apenas viu o sol e pediu para que eu fizesse o gesto. A máquina era a sua. A foto também era, mas você não sabia. Talvez você soubesse e não dava sinais, talvez eu esteja enganada.- Era o seu estilo. Tirei pelo gesto, por ter sido você a pedir. Tinha sido pra você, e talvez você nem percebesse. Já não entendo essas palavras, estão confusas e interligadas por uma ligação que desconheço. Eu só queria dizer que a foto foi pra você e por você, era isso. Daqui um tempo, quando eu for ler esse texto, espero não saber quem era o ele que escrevi, espero ter esquecido. Talvez não por agora ser diferente, mas pelo antes ter sido igual. Pelo antes que ficou pra trás, pelo nós que não houve, pelos sonhos toscos que não foram reais, pelas palavras ditas ou escritas que poderiam ter sido evitadas. Mas não foram, quem sabe por impulso. Sim, foi impulso de quem não soube se conter. Foi o primeiro, você. A foto é para comprovar o número um.

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