10/12/2010

Ainda hoje não sei definir-me, sou um velho, ou talvez não tão velho fisicamente, apenas tenho 50 anos, sabedoria de 80 e alma de 70. Quando perguntam, costumo dizer que sou um pedaço do passado, com idade indefinida, podendo ser um passado de 20 anos se julgar minha idade verdadeira ou será de 50 se me ver com 80, como consequência de nos últimos tempos ter envelhecido mais do que seria necessário.
Olhando agora da janela desse prédio onde moro, a brisa me sussurra a lembrança e tento evitar aquele tempo, sem êxito. Lembro-me de meus exatos 30 anos. Era homem feito, realizado, com família e harmonia, em uma cidade do sul, Lajeado para ser mais exato. Aquela cidade era pra mim como um amor, o mesmo sentimento ufanista dos Romancistas por seus países. Era o orgulho, a minha vida, minha história está ali.
De repente, tudo se perdeu. Como foi tudo se desvencilhar? Simplesmente se desvencilhou. Sem eu me dar conta perdi a felicidade, o sentimento de alegria se transformou em tristeza, a mais profunda tristeza. A família se desvaneceu, naquele momento o nós passou a ser eu, um eu perdido.
Saí daquela cidade, meu nacionalismo se tornou esquecimento. Passei a não querer o mundo, a ser um eu entre o vácuo. O vazio tomou posse de meu corpo e era meu refúgio. Estava desconcertado. Com isso se passaram anos e continuei me refugiando nas lembranças do que foi minha vida. A aparência de 30 se transformou em 60 sem eu me dar conta. Havia se passado três anos.
Decidi voltar àquela cidade, a minha cidade. Tudo, incrivelmente, estava do modo como era. Ela teve a força que eu não tive. Reconstruiu a vida que eu desfiz. Ela e Lajeado. Ficou me esperando enquanto eu fugia. E eu voltei, para ela, para Lajeado, para nós.

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